Até bem pouco tempo, a área de Exploração e Produção da Petrobras não possuía um programa corporativo focado na revitalização de campos maduros, isto é, dos que já passaram pelo pico de produção previsto no esquema original de explotação, tendo produzido por mais de dez anos, em geral. Mas a criação do Programa de Revitalização de Campos com Alto Grau de Explotação, o Recage, mudou esse quadro a partir de 2004. Hoje, graças ao programa, campos como os de Carmópolis, Canto do Amaro, Camorim, Dourado, Bonito e Albacora, que já haviam alcançado o pico de produção, ganham vigor novo e, em alguns casos, podem vir a totalizar produção ainda maior do que a atingida em seu ápice.
O Recage é um programa de gestão que estrutura, corporativamente, o suporte e o acompanhamento sistemático de iniciativas que, nas Unidades de Negócio de Exploração e Produção da Petrobras, aumentam os níveis de produção de campos com alto grau de explotação pela otimização dos custos de extração e pela geração e pela gestão de projetos de desenvolvimento da produção. Além disso, propõe-se a estender a vida útil desses campos aumentando seu fator de recuperação. Isso é feito por intermédio de soluções como, por exemplo, o aumento dos níveis de injeção de água; a injeção a vapor, no caso da recuperação de óleo pesado; o aumento, a centralização e a racionalização das instalações de injeção, produção e tratamento utilizadas; e a introdução de novas tecnologias, como, por exemplo, a injeção submarina de água do mar e a utilização de poços horizontais com trechos longos multifraturados.
“Queremos que o Recage resulte na melhoria da gestão de nossos projetos e processos, no aumento da produção e na otimização de custos e propicie à área de Exploração e Produção vencer seus maiores desafios, que são reduzir o declínio da produção, aumentar reservas e aumentar o fator de recuperação dos campos com alto grau de explotação. O programa é da maior relevância para nós, pois os campos maduros representam 70% das concessões de blocos que a Petrobras possui – 205 de um total de 288 –, 40% das reservas provadas da Companhia e 60% da produção total de óleo da Petrobras. Além do mais, os 13 projetos de desenvolvimento de produção que estão sendo acompanhados por intermédio do programa acrescentarão cerca de 850 milhões de barris de óleo às reservas provadas da Petrobras, o que equivale à descoberta de um campo gigante”, afirma o coordenador geral do Recage, Carlos Roberto de Carvalho Holleben.
Revitalização no Nordeste
Os resultados previstos são animadores. O campo de Carmópolis, descoberto em 1963 na bacia terrestre de Sergipe-Alagoas e, hoje, a maior acumulação da Petrobras em terra, tem tudo para ser um case de sucesso do Recage. Carmópolis, que produz óleo pesado de 21 a 23 graus API, atingiu seu pico de produção em 1989 – um total de 27 mil bpd. Agora, graças a investimentos na ordem de US$ 314 milhões, que serão aplicados em intervenções para aumentar os níveis de injeção de água em seus poços e na expansão e na racionalização de instalações de injeção de água, produção e tratamento de óleo, pretende-se otimizar a explotação do campo no período de 2007 a 2025 e extrair dele volumes maiores do petróleo contido no reservatório. Assim, a produção e as reservas serão aumentadas, com significativos ganhos de escala. O projeto estará implementado até agosto de 2007, conforme estimativas. O pico de produção do campo está previsto para ocorrer entre 2010 e 2012.
O campo terrestre de Canto do Amaro, no Rio Grande do Norte, que já chegou a produzir 40 mil bpd de óleo de boa qualidade, de 28 a 40 graus API, receberá investimentos de cerca de US$ 410 milhões. A previsão é de que atinja novo pico de produção também entre 2010 e 2012. Nesse campo, assim como no de Carmópolis, serão perfurados um total de 367 novos poços, entre produtores e injetores, e outros 1.387 poços passarão por operações complementares de conversão e recompletação. Os sistemas de injeção de água serão ampliados em 500 mil barris por dia. Com isso, a produção de óleo de Carmópolis e Canto do Amaro deverá subir dos atuais 48 mil bpd para 70 mil bpd.
Os campos marítimos de Camorim e Dourado, localizados no litoral de Sergipe, em águas rasas, em profundidades de entre 145 e 25m e de 30m, respectivamente, onde produzem óleos leves de excelente qualidade, também serão revitalizados. Graças a investimentos de US$ 600 milhões, a Petrobras pretende aumentar a produtividade desses campos em 600%, em cinco anos. O projeto consistirá na perfuração de 27 novos poços e na recompletação de 65 outros poços. Também serão instalados 73,8 quilômetros de novos dutos para injeção de água nos dois campos, duas novas plataformas do tipo Caisson, de grande calado, uma em cada campo, e uma nova plataforma em Dourado. Em Camorim, segundo maior campo de Sergipe, será lançada uma nova Caisson e será recolocado o convés da plataforma PCM-11.
Fonte: Petrobras Magazine |