Entrevista com Sebastião Filgueira do Couto, diretor da Prest Perfurações
22/10/07 12:48

Muita batalha pela vida ainda na infância?

E põe batalha, amigo. Para que você tenha uma idéia, para eu poder ir à escola tinha que andar diariamente cerca de dezesseis quilômetros. Eu morava num sítio em Cajazeiras no município de Mossoró e já aos sete anos de idade ajudava ao meu pai, Francisco Hemetério do Couto (Carneiro), na vacaria. Nem energia existia, era tudo na base da lamparina, do candeeiro. Infelizmente, ou quem sabe felizmente, o tempo que sobrava para correr atrás da bola era quase nenhum.

 

Quando surgiu o primeiro emprego?

Eu concluí o ginásio no Colégio Dom Bosco e queria fazer o curso de contabilidade que existia no Colégio Eliseu Viana. Em 1976, e na busca desse objetivo, ao passar nas obras de construção do conjunto habitacional Abolição I, parei a bicicleta e procurei uma vaga num escritório improvisado que existia. O engenheiro responsável da empresa Procal (Elifábio), me atendeu muito bem, consegui assim uma vaga de encanador. Essa foi a minha primeira função profissional. Dois meses depois eu já administrava esse departamento. Troquei a bicicleta e orgulhosamente passei a pilotar uma lambreta. O contrato foi encerrado, recebi convite de Elifábio para trabalhar em João Pessoa (PB). Fiquei por aqui, por estar cursando o último ano de contabilidade. Em 1977 fui trabalhar como auxiliar de escritório na CPRM. Atuei em muitos espaços na empresa, até que no final de 1981, após pedir a direção para ir trabalhar em sondas, diga-se de passagem, insisti muito no pedido, e fui liberado para fazer um curso especializado em técnica de perfuração na Petrobras, na cidade de São Sebastião do Passé, Bahia. Troquei a sala com ar-condicionado pelo sol e graças a Deus deu tudo certo. Voltei e fiz um estágio na Petrobras.

 

Alguma raiz com os primeiros poços perfurados em Mossoró?

Uma raiz que coloco como marca indelével. O primeiro poço que trouxe o petróleo a Mossoró foi o do Thermas. Eu trabalhava na CPRM, e no trabalho buscávamos água, só que veio o ouro negro. Entendo que naquele momento começou o crescimento e desenvolvimento empresarial.

 

Novos espaços alcançados na Líbia. Como foi?

A Braspetro estava perfurando poços na Líbia, precisamente no deserto de Saara, isso em 1988. Eu pedi uma licença na CPRM e resolvi buscar novos caminhos e naturalmente novos aprendizados. Um início nebuloso, pois eu não falava sequer inglês, não obstante isso os constantes conflitos da Líbia com outros países e quando me desliguei da região em 1991, estava sendo iniciada à guerra com o Kuait.

 

O que de ruim aconteceu? O que teve de bom?

Foi difícil conviver com as oscilações de temperatura, às 15h com uma temperatura de 58 graus centígrados e épocas com 12 graus abaixo de zero. Lá, metade do ano é de temperatura alta e a outra metade hiper-baixa. De positivo em primeiro plano as lições profissionais e pessoais e, claro, o aspecto financeiro. Nós passávamos por um processo econômico em que a inflação chegou ao patamar dos 82% , e eu recebia em dólar, dando sempre ao final de cada mês oportunidade de poupar uma boa sobra, o que não me seria permitido se estivesse ficado por aqui.

 

Algum momento de risco de morte?

Eu estava no aeroporto esperando um vôo para Trípoli. Minutos antes um avião foi derrubado com mais de 200 pessoas. O detalhe é que o míssil que derrubou a aeronave foi detonado por engano. Aquele não era o alvo certo. Claro que a intranqüilidade dominou toda a nossa equipe.

 

E as folgas?

Era obedecido o seguinte calendário. Cinqüenta e dois dias na Líbia e trinta e cinco no Brasil. Frise-se que o marco da viagem atingia oito dias. Tínhamos quatro dias para a ida e quatro para a volta. Lembrando que por todo esse período sempre esteve ao meu lado o meu irmão Neto, que passou por tudo que eu passei.

 

Você voltou em definitivo ao Brasil. E aí?

Percebi que não existiam os horizontes que eu necessitava na CPRM. Fui à luta e fundei com o meu amigo e vizinho Marco Antonio Fernandes dos Santos a Prest Serviços Gerais, no ano 1993. Já em 1998, nasceram os primeiros contratos com a Petrobras. Começamos com jardinagem e cafezinho, com a luta continuando. Depois entramos na área de sonda, onde estamos até hoje, Neste ínterim mudanças operacionais aconteceram.

 

Tipo?

À medida que o tempo foi passando, eu e Marco entendemos da necessidade de cada um seguir o seu caminho. Registrou-se uma harmoniosa comunhão de pensamentos. Eu criei a Prest Perfurações e ele a Prest Manutenção. Houve o nosso desligamento profissional, porém a amizade continua sendo bonita como sempre foi.

 

Qual o raio de atuação da Prest Perfurações?

No Rio Grande do Norte, Sergipe, Alagoas, Bahia, Espírito Santo, com um total de oito sondas próprias.

 

Qual o número de funcionários?

Com precisão fica difícil lhe dizer, mas somamos alguma coisa em torno de 900 empregos.

No ranking nacional, qual o patamar em que se encontra a Prest Perfurações?

São seis perfurações em terra e nós ocupamos a terceira posição, numa distância pequena para as duas primeiras colocadas.

 

Existe algum fator desestimulante nesse universo?

Eu diria que em algumas situações os aspectos burocráticos. Recentemente tivemos que provar para determinado órgão federal a nossa honestidade, transparência, só que um processo que poderia demorar dois dias, teve a duração de cinco meses, comprometendo prazos e orçamento para a nossa empresa. Mas, é isso mesmo, fazer o quê? Vou continuar indo à luta com a mesma honestidade que trouxe do berço e não permitir que essas adversidades me tirem do sério.

 

O que mais lhe estimula nessa caminhada?

É ver pessoas que como eu não tinha nenhum meio de locomoção e ao vestirem a camisa da Prest Perfurações conseguiram chegar a uma bicicleta, moto e já dispõem dos seus próprios carros. Na verdade, a minha maior satisfação é saber que muitas famílias hoje não estão mais desamparadas, porque em suas carteiras profissionais existe a marca da nossa empresa.

 

A família também é marca atuante na Prest Perfurações?

Eu sou majoritário, tendo com sócio o meu irmão Neto, meu amigo Normando Lins, além dos meus filhos Diego (risos, esse foi no cabresto, mas que vai muito bem obrigado), Darliene, que trabalha no Departamento Financeiro junto com a outra filha Darliane que apesar da pouca idade é de uma competência incomum.

 

Fonte: Azougue.com

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